MENDONÇA PRADO E A SSP: O DESENCONTRO

Mendonça Prado (DEM) à frente da Secretaria de Segurança Pública de Sergipe revela que o velho lobo Jackson Barreto (PMDB) tem um estilo leonino de agradecer a fidelidade de seus parceiros. Mendonça foi na Câmara Média um grande parlamentar. Probo, inteligente, participativo, reconhecidamente uma liderança, apesar de carregar um saco de cal às costas: sua sogra Senadora; e uma pá para enterrar incomum substância de construção: seu omisso e culto sogro. Na Câmara Federal Mendonça sempre se fez ouvir, e se fez respeitar, e se fez querido, mas entre essa história e a sua posse como secretário de Segurança no inseguro Estado de Sergipe há uma fossa intransponível, como aquela que separava o espírito do rico do pobre Lázaro.
Apesar dos índices de violência em Sergipe e da falta de seriedade do Governo de tratar o assunto, temos a melhor e mais preparada polícia do Brasil. Entre os Policiais Militares, temos líderes natos, preparados, alguns com passagens por ações pacificadoras da ONU e a resistência a milícias paramilitares é visível, diferente de outros Estados onde coexistem policiais militares - ou paramilitares, paralelas. O oficialato sergipano é da melhor estirpe. Poderia sair deste quatro (técnico) o Secretário de Estado da Segurança Pública. Jacskon desprestigiou o seus homens e colocou seu aliado Mendonça Prado no inferno dantesco.
Ainda que não se sinta bem diante dos homens (e mulheres) de uniformes militares, para Jackson Barreto haveria ainda a possibilidade de recrutar o Chefe da Polícia Sergipana entre os policiais civis. É incontestável - diria até insofismável, a competência da Katarina Feitosa. Mulher incorruptível, corajosa, da melhor e mais fina estirpe de profissional vocacionada à sua carreira. Eu citaria, ainda, nomes como o do Delegado, Mestre em Sociologia pela Universidade Federal de Sergipe Abelardo Inácio da Silva, hoje na ACADEPOL (penso), e que já mostrou ser uma liderança nata entre os policiais sergipanos.
Os jovens Delegados de Polícia de Sergipe são bem treinados, alguns pós graduados co Mestrado e Doutorado, todos eles capazes de enfrentar as mais horríveis intempéries em defesa da segurança pública de Sergipe. Há gente ruim, por certo, que teima em desrespeitar Direitos Humanos, mas a grande massa de nossos profissionais de segurança pública - sejam civis ou militares, possuem indeclinável compromisso com o Direito, com os humanos direitos, com a humanidade e com as modernas técnicas de defesa social, num processo de pacificação que Mendonça Prado, por mais generoso que tenha o coração não possui (do ponto de vista técnico, por evidente).
O Secretário ou Secretária de Segurança Pública é um gestor sui generis. Enfrenta a morte para promover a vida. Muitas vezes no campo de batalha, nas ruas, nas vielas, nos campos tem que fazer escolhas as mais difíceis, as mais doloridas pela qualquer alma.
Mendonça é uma alma nobre, mas está deslocado. Desencontrado, como percebi hoje, em sua entrevista na TV Sergipe. Não porque esteja assumindo agora, mas porque ele não é policial. Poderá até saber segurar uma arma, municiá-la, apontá-la em defesa de democracia, mas sairá de alma ferida, pois ele é um tribuno, não um policial. E essa diferença, Doutor Jackson Barreto, somente almas bélicas compreendem.

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