DIA DAS MÃES. Uma reflexão filoteológica.

Por mais que a minha racionalidade me instrua que o Dia das Mães é mais um daqueles dias criado para fortalecer as vendas do comércio, é impossível não nos deixemos ser inundados de lembrança, de carinho e veneração às nossas mães; A primeira das mães que lembro é da Santíssima Virgem. Mãe e Virgem. O que seria uma contradição e uma blasfêmia para os homens, é um dos mistérios salvíficos de Deus. E além disso é um escândalo para os fariseus de ontem e de hoje uma mulher se arrogar a ser a mãe de Deus, a mãe do Filho de Deus, mão do Espírito Santo, e, sobretudo, a mãe da Santíssima Trindade. Como compreender esse mistério? Dobrando os joelhos diante da cruz e amando a Filha de Deus Pai, mãe de Deus Filho, e esposa do Divino Espírito Santo. Von Balthasar, um dos maiores teólogos católicos do século XX, conclamava-nos a fazermos uma teologia de joelhos. Para compreender a Maternidade Virginal de Maria só podemos fazê-lo de joelhos. A Maternidade de Nossa Senhora é um dos mais lindos mistério da Salvação. Mas para que eu chegasse até aqui, nesta minha reflexão, foi preciso que os joelhos de minha mãe vivessem em genoflexão constante. Desde minha geração, passando pelo meu nascimento e por toda a minha vida. Vejamos que mistério maravilhoso - mais um entre tantos que rodeiam a existência dos homens. Para que pudéssemos contemplar a Santa Virgem Mãe de Deus, necessário se fez que fossemos paridos, nascidos de mulher. Entre fezes e urina somos paridos, para contemplarmos a figura da mãe que nos carrega por nove meses no ventre, e por toda a vida nos braços, O teólogo francês Pierre Teilhard de Chardin​ dizia com muita propriedade que "quando Maria pegou Jesus no colo, Ela estava erguendo a humanidade inteira", Lembro da minha mãe, dona Meire​, uma sertaneja de pequena estatura, costurando de madrugada para complementar a renda familiar. Lembro de minha mãe carregando blocos de argila para construirmos nossa primeira casa própria. Lembro de minha linda e pequena mãe nas feiras livres vendendo confecção para que eu e meu irmão Marcos Santos​ pudéssemos ir à escola. Excluí desta lembrança meu irmão Manuel Junior Jr.​, porque quando ele chegou, em 17 de outubro de 1980, a realidade financeira de nossa família já era outra. E dou testemunho disso porque sou o primogênito, o primeiro gerado, o primeiro nascido, o primeiro alimentado. Comigo, minha mãe conhece a dor do parto e a alegria da maternidade. Querida Estela Martins​, você provavelmente sentirá em meus relatos falta de um quarto nome. E eu explico. Eu teimo em respeitar a decisão das pessoas de se excluir de nossas vidas, e você, como mãe, compreenderá isso. Mas no longo de nossas vidas vamos convivendo com outras mães: sogra, esposa, avó, tias (lembro-me diariamente das minhas em minhas orações: Zilda, Neildes ( Neila Menezes​), Estelita Augustinho​ - tia e madrinha, Maria Esmeralda Santos​, Maria Lecilda​, Edileuza, Marla, A maternidade é uma coisa mágica. Deslumbrante eu digo. Assisti o nascimento do meu primeiro filho, Paulo Raphael Pereira​. O parto é normal, mas não é natural. Não é natural o sofrimento por que a mulher passa ao parir. Nós, homens, não suportaríamos cinco por cento da dor pela qual uma mulher passa no parto. O nascimento do meu segundo filho, Paulo Gabriell, há quatro anos, não tive coragem de assistir de novo. É chocante o parto. Mas é assim que nascemos. Hoje é Dia das Mães. Muito mais do que um dia criado com fins comerciais, é um dia em que podemos referenciar, venerar a Mãe de todas as mães: Nossa Senhora. Minha querida mãe, não sei se a senhora irá ler essas minhas reflexões. Mas outras há, em meu coração, de alegria e louvor a Deus por ter concedido a mim e aos meus irmãos o dom da vida, por intermédio de sua dor, de seu sorriso, suas lágrimas e sua presença tão linda nas nossas vidas. OBRIGADO, minhas mães: Meire e Maria de Nazaré, aquela a quem Cristo Senhor, do alto do madeiro deu-nos como MÃE: "Homem, eis aí sua mãe; Mulher, eis aí o seu filho" (Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo pela boca de São João, capitulo 19, versículos 26 e 17 - Jo 19, 26-27).

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