O QUE A JUSTIÇA AMERICANA TEM A NOS ENSINAR?

"Prenda-me se for Capaz", filme em que "Frank Abagnale Jr. (Leonardo DiCaprio) já foi médico, advogado e co-piloto, tudo isso com apenas 18 anos. Mestre na arte do disfarce, ele aproveita suas habilidades para viver a vida como quer e praticar golpes milionários, que fazem com que se torne o ladrão de banco mais bem-sucedido da história dos Estados Unidos com apenas 17 anos. Mas em seu encalço está o agente do FBI Carl Hanratty (Tom Hanks), que usa todos os meios que tem ao seu dispor para encontrá-lo e capturá-lo". (fonte: http://www.adorocinema.com/filmes/filme-35973/) Óbvio que não quero falar de cinema, até porque não entendo, apenas gosto - e muito. Mas esse e outros filmes americanos nos falam muito sobre o modelo americano de se fazer Justiça. Não que os juristas do Tio San sejam melhores que os nossos nem seu Judiciário mais competente, mas eles nos permite algumas reflexões, e uma delas é "o que se fazer com as brilhantes mentes do mal"? No filme que cito, o protagonista ao ser preso tem a alternativa de ir para a cadeia ou ajudar o Estado. Para quem não assistiu o filme eu ajudo: ele decide ajudar o Governo na captura de bandidos que possuem um QI diferenciado. O personagem (ou a personagem) Frank Abagnale Jr. sabe como a bandidagem pensa. Polícia pensa como polícia. Promotor como promotor e Juiz como Juiz. E bandido, obviamente, pensa como bandido. A estratégia de se trazer os inimigos para o lado de cá, para entre "nosotros" é inteligente e até no famoso A Arte da Guerra já se sugere esse tipo de atitude, mas no Brasil pega-se mentes brilhantes do crime e põe para que vivam junto a verdadeiros imbecis dentro dos presídios. Resumo da ópera: as mentes brilhantes do crime usa os imbecis, os adestram, e formam suas milícias, suas facções. Ou seja, dá pérolas aos porcos. Quando eu era professor do ensino fundamental e médio, procurava colocar os alunos mais espertos, que possuíam alguma tipo de saber diferenciado - inclusive rebeldes, para próximo a mim. Eu os queria por perto para ter controle sobre a "turma do fundão". E conseguia uma harmonia muito frutífera em sala de aula. Aluno burro era tratado com dignidade, porém eu renunciava ao dever de desasná-los. Era perca de tempo. Mas as mentes brilhantes tinham que se orientados para o bem. E eu o fazia. Expulsar da sala um aluno brilhante mas rebelde é tolice. Encarcerar uma mente brilhante do crime é burrice. Essas mentes brilhantes podem ser muito úteis ao Estado. E próximo, se vigia melhor. Até porque o Estado não tem qualquer ingerência dentro das paredes dos presídios. Essa semana, em Maceió, um grupo de traficantes foi preso. 16 anos de cana, em média, foi a condenação de cada um deles. Ou seja, o Estado terá que dar comida a essa gente. O cidadão manterá, por meio dos impostos, a existência material desse pessoal. E se regulamentasse a produção e comércio de algumas drogas, tributando-as inclusive, não seria mais interessante para os cofres do Estado e para a sociedade como um todo? Parece-me que sim. E se usássemos os "mente brilhantes do mal" que conseguem cruzar o Brasil com toneladas de entorpecentes para entendermos os mecanismos usados para esse intenso tráfico? Fui a uma festa na Paulista. Policiais para todos os lados. Fui revistado. "Me passaram a mão na bunda", como diriam os saudosos Mamonas Assassinas. E eu acreditava que aquela revista era suficiente para que nada de ilícito entrasse naquele ambiente. Ledo engano. A galerinha do mal estava lá, com seus cigarros de maconha e seus cachimbos da paz. E a Polícia não foi conivente, nem incompetente, mas há mentes inteligentes do lado de lá. Gente que sabe onde o cão dorme e chupa manga. Os americanos perguntam: quer comer cadeia ou quer ajudar o Estado a compreender os mecanismos mentais de sua astúcia? O Brasil não pergunta. Encarcera os burros e inteligentes num salão comum. O asno e o tigre de bengala na mesma jaula. Que horror! As drogas entram nos presídios não por incompetência, prevaricação ou conivência de policiais e carcereiros, mas porque existem mentes brilhantes no crime convivendo com asnos do crime, muitas vezes desasnando-os e recrutando-os para as facções. Uma saída é, portanto, trazer, de alguma forma, as mentes brilhantes do mal para próximo dos interesses do Estado. Eles nunca serão amigos do Estado, mas não precisamos ser amigos do rei. Basta flertarmos com a rainha.

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