PUPILO NO PÚLPITO



Não faço versos de encomenda.
Nem vendo meu sexo frágil sentindo as dores do mundo.
Meu destino é a paz das noites,
O cantar dos galos me atrai.
Quão doce é o doce de batata doce,
Servido por sinhá Philá nas esquinas da quinta.
Oh, minha estância querida de folhagens raras.
O banho nu no piauytinga
Parece cantiga de moça virgem
Ao sair do tear e da cruz santa.
Dizem que há quem ateie fogo no rio
Peixe frito, peixe frito, beijo aflito.
Menino triste a colher oiti
E levar carreira de seo Orlando.
E o velho Drisca a driscar as paredes no bar baé
A aquentar o bafo de cachaça cubaba
Que babava impropério no jardim velho.
E nem de cá nem de Kaká se espera a resposta pronta
Nas noites de uma infância em quarentena.
Voltemos, portanto, senhores, voltemos.
Se não volta o tempo
Se não se revolta o terno azul de Jorge,
E na nova rua a esperar esperto
A carona no caminhão de amor
Sob a fotográfica lente de Jorge outro - a catar luzes.
Que bem fiz eu - menino,
No esconderijo de tempos novos
Em que o sol nasce para todos?

Paulo César
Estância, 14.05.2018 a 1820!

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