#PoetizandoOBanho.

Não mereço a solidão a que me convida, nem à farra insana dos seus beijos. Dedico-me a mim e aos meus sonhos, como pássaro que sou e como me vejo, a dedilhar canções de ninar no leito manso, branco, suave e silencioso. Se hoje me deito em nuvens alvas, a aguardar a morte - meu destino, é com Jesus que brinco desde menino nas ruas claras de meu Bonfim. Que me acompanhem outros moleques que como eu se banhavam nas águas do Piauitinga, e cantavam cantigas das mais antigas formas. Fui menino, fui gigante, fui herói que não se saciava nas aulas de geografia do Arabela. Quão bela eram as meninas que na minha solidão eu as amava? Partiram elas, e estão todas casadas - que pena. Não conheceram a lascívia de meus beijos nem o calor de meu afago - pobre delas. E o tempo passou e me tornei velho, como um vinho parisiense, como uma cachaça boa, como meus livros e brinquedos. #PoetizandoOBanho.

Comentários