A REINVENÇÃO DO PROFISSIONAL DE RECURSOS HUMANOS
A profissão de Gestor de Recursos Humanos é ainda muito jovem posto que até bem pouco tempo esse papel era desempenhado por Contadores e/ou Contabilistas encarregados de levantar a documentação de admissão e demissão de funcionários, folha de pagamento, benefícios previdenciários, gerir os recursos destinados aos sindicatos de trabalhadores. Em apertada síntese, era um cumpridor da CLT – Consolidação das Leis do Trabalho. Muitas empresas, inclusive, sequer tinham um setor ou departamento dedicado a isso. Simplesmente enviava à Contabilidade a documentação para admissão ou demissão de trabalhadores e muitas dessas “contabilidades” eram terceirizadas, ou seja, não pisavam no “chão da fábrica” nem no “piso dos escritórios”. Eram alienígenas nas empresas, que cumpriam rotinas muitas vezes estressantes, sobretudo nas grandes empresas, nas grandes fábricas.
O fenômeno de renovação das práticas de Recursos Humanos se dá ainda nos cursos de Administração de Empresas como mera departamentalização de uma atividade que hoje reconhecemos vital para qualquer empreendimento. E mais recente ainda são os cursos de Gestão de Recursos Humanos, todos eles cursos de curta duração, de no máximo dois anos e meios e com status de Curso Superior Tecnológico. As universidades não perceberam ainda a importância estratégica do RH e inexiste Bacharelados em Recursos Humanos, o que conduz à pauperização da atividade. No máximo, alguns institutos de ensino superior – Faculdades e Universidades privadas em sua maioria oferecem MBA em Gestão de Pessoal, Gestão de Recursos Humanos.
Sem apoio das instituições de ensino superior e muito menos das altas cúpulas empresariais cabe aos Gestores e/ou Administradores de Recursos Humanos construir seus próprios saberes por meio de leituras de autores contemporâneos de Administração de Empresas com foco em RH, dos quais o decano é certamente Idalberto Chiavenato, autor de vasta bibliografia – verdadeiras bíblicas que vai da Introdução à Teoria Geral de Administração a obras cujos títulos parecem até divergentes (“Gestão de Pessoas” e “Recursos Humanos” – ambas as obras publicadas pela Elsevier). Mas há diversos outros autores, dos quais destaco também Hélio Janny Teixeira, da FGV-SP e da USP, e em cuja obra “Fundamentos de Administração: A Busca do Essencial” (coautoria de Sérgio Mattoso Salomão e Clodine Janny Teixeira, 2ª. ed., Rio de Janeiro: Elsevier, 2015) trata do assunto dos Recursos Humanos em pouco mais de duas páginas. Evidentemente que a obra ora em apreço tem natureza introdutória nas Ciências da Administração e a contribuição do Professor Hélio Janny Teixeira é vasta, tendo ele se dedicado com maior profundidade à Gestão de Pessoas na obra “Gestão de Pessoas na Administração Pública”, em coautoria com Ivani Maria Bassoti e Thiago Souza Santos. O mercado editorial brasileiro é rico em obras que tratam da Gestão de Recursos Humanos, ou Gestão de Pessoas, muitas das quais oriundas de profissionais de Psicologia, como a obra “Psicologia no Gerenciamento de Pessoas”, de Márcia Regina Banov (2ª. ed., São Paulo: Atlas, 2011), que se trata de uma ótima reflexão e muito fecunda para o profissional de Recursos Humanos.
Os profissionais de Recursos Humanos (Administradores, Gestores...) no cotidiano das empresas é que estão construindo seus saberes e investindo em práticas que se alinhem cada vez mais com a missão, a visão, o (s) objetivo (s), e valores das empresas em que estão inseridos.
Há muita teorização, mas há também práxis enquanto agir refletido, sobre o destino dos Recursos Humanos. Creio salutar à nossa reflexão o que nos diz Carl Gustav Jung ao afirmar que “Conheça todas as teorias, domine todas as técnicas, mas ao tocar uma alma humana, seja apenas outra alma humana”. São com almas humanas que o Gestor de Recursos Humanos ou Gestor de Pessoas se encontra, se depara todos os dias no ser labor diário. E a consciência dessa realidade não é apenas necessária, mas é sobretudo estratégica. E sabemos que muitos dirigentes de empresas, empreendedores, empresários olvidam esse fato (“Verum factum est”) e teimam em exigir do profissional dedicado aos Recursos Humanos tarefas que se resumem às rotinas legais trabalhistas e não os tomam como parceiros estratégicos.
Mesmo na chamada Indústria 4.0 a presença humana é imprescindível e o profissional que tratará com a humana presença desta Quarta Revolução Industrial é o profissional de Recursos Humanos, chamemo-lo como queiramos: Gestor de RH, Administrador de RH ou qualquer outra nomenclatura técnica-profissional.
A contemporaneidade das empresas requer a Reinvenção do Profissional de Recursos Humanos, cuja formação vai muito além do preparo técnico-científico. O profissional de Recursos Humanos precisa desde já “tocar a alma humana sendo apenas uma outra alma humana”; precisa de sensibilidade humana. Precisa também de uma formação humanística e – não creiamos ultrapassada, enciclopédica. Verdadeiros “doutores Google” com alma.
¹Paulo César dos Santos, Palestrante e Consultor em Gestão Humanizada. E-mail: doctuspaulus@hotmail.com.

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