REVISITANDO A HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO E PROJETANDO PERSPECTIVAS FUTURAS²


Paulo César dos Santos¹


A história da educação é um convite não apenas a passear pelo passado, mas sobretudo uma proposta de compreensão do presente e de construção de uma análise de aplicabilidade de métodos e teorias para o porvir.

Analisando a História da Educação, sobretudo no Brasil, a partir da presença missionária dos Jesuítas que estiveram presentes ainda no Brasil colonial por 210 anos, até sua expulsão pelo Marques de Pombal, e o decurso de tudo o que se viveu depois, percebe-se que muitas das ideias pedagógicas que existiram no mundo ocidental sequer foram contemporaneamente conhecidas no Brasil, posto que nunca fora interesse das elites dirigentes – ainda que sob a égide do Iluminismo, que se aplicassem por essas terras.

A inculturação proposta pelos Jesuítas que, movidos por ideais e ideias nobres buscavam catequizar os índios embutindo-lhes valores cristãos, mas sem desprezo de seus valores tribais se viu menosprezado pelos interesses da coroa lusitana, notadamente por imposição do Marques de Pombal que percebia nos Jesuítas um entrave aos seus interesses políticos.

O que se percebe, a priori, é que a Educação sempre fora na pauta reflexiva brasileira uma questão marginal, nunca merecendo das elites dirigentes qualquer esforço para sua sistematização, seja no período colonial, seja no imperial, nascendo tão somente como reflexão enquanto agenda política no Brasil república, sobretudo a partir dos anos 1920/1930, a partir das reflexões desenvolvidas pelos chamados Pioneiros pela Educação, dos quais se destaca sobretudo Anísio Teixeira.

Neste diapasão, nossa análise parte destes dois momentos singulares da nossa História: o Pioneirismo dos Jesuítas, o entusiasmo de Anísio Teixeira e seus companheiros e finalmente culmina com a educação atual, iluminada pela Base Nacional Currícular Comum – BNCC, que pautará nossa reflexão.

A educação no Brasil sempre foi tratada de forma marginal desde os seus primórdios, nunca merecendo dos poderes públicos a justa atenção. Quando da presença jesuítica ainda gozou de metodologia, no entanto a intervenção estatal colocou por terra tal pretensão, levando-a ao fracasso, o que não foi restaurado sequer com a presença da corte portuguesa no Brasil a partir de 1808, muito menos com a separação de Portugal em 1822, o que se manteve por todo o Brasil império.

Há uma pequena esperança com a Proclamação da República em 1889, e finalmente nos anos de 1920/1930, com ações pontuais a partir da reflexão e da práxis educativa de Anísio Teixeira e seus companheiros, porém devemos levar em conta que uma política de educação tecnicamente estruturada surge tão somente nos anos de 1960, com  a LDB – Lei de Diretrizes e Bases para a Educação que tramitou no Congresso Nacional por cerca de treze anos, nascendo já distante da realidade que a criou e assim mesmo após a intervenção dos mais diversos interesses políticos.

Ainda em tempo, não podemos olvidar a intervenção dos interesses militares no pós 1964, com uma legislação esdrúxula e que tinha em vista apenas os interesses do capital em detrimento dos reais interesses brasileiros por uma educação pública, gratuita e de qualidade, que somente nascerá com o advento da Epístola Cidadã de 1988 e com a LDB de 1996, que culminará com a Base Nacional Curricular Comum – BNCC, em cuja esperanças da educação brasileira repousa atualmente.

Essa realidade nos leva a acreditar que o compromisso de uma educação de qualidade, pública e gratuita é ainda uma bandeira que merece o empenho de todos nós, educadores e educandos, na construção da cidadania com ética e responsabilidade, afinal a história – o que inclui a História da Educação, não conhece um ponto final, pelo contrário, somos sempre chamados à reflexão e à luta por melhores e mais efetivas ações em defesa da educação brasileira, sobretudo em momentos como o que ora vivemos em que percebemos que apesar de tantos esforços o Estado Brasileiro ainda não tem cumprido uma agenda de melhorias estruturais em nossa educação, pelo contrário, continua alheio dos interesses do povo em favor dos interesses do capital, qual seja, de manter o povo alienado e distante do saber.

A educação deve, portanto, está nas agendas sociais e políticas do Brasil e de suas elites dirigentes, desde que ouvidos os profissionais de educação, os educandos, suas famílias e toda a sociedade brasileira.

BIBLIOGRAFIA

ARANHA, Maria Lúcia de Arruda. História da Educação e da Pedagogia: Geral e do Brasil. 3. ed. – rev. ampl. – São Paulo: Moderna, 2006.

MANACORDA, Mario Alighiero. O Princípio Educativo em Gramsci. Porto Alegre: Artes Médicas, 1990.

MANACORDA, Mario Alighiero. História da Educação: Da Antiguidade aos Nosso Dias. 13.ed. – São Paulo: Cortez, 2018.

SAVIANI, Dermeval. A Pedagogia no Brasil: História e Teoria. 2. ed. – Campinas – SP: Autores Associados, 2012, - (Coleção Memória da Educação).

TARDIF, Maurice. Saberes Docentes e Formação Profissional. 17. ed. Petrópolis, RJ: Vozes, 2014.

¹Paulo César dos Santos, Bacharel em História pela Universidade Estácio de Sá, Pós-Graduando em Tutoria em Educação a Distância e Docência do Ensino Superior - Universidade Cândido Mendes, e também Pós-Graduando em Docência em Filosofia e Teologia, pela mesma Universidade.

²Trabalho apresentado à Disciplina História da Educação, da Universidade Estácio de Sá, sob orientação do Prof. Dr. Carlos Roma Vieira da Fonseca, a quem o autor rende homenagens de gratidão e respeito.

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