EU QUERIA ENTENDER O BRASIL.
Quando fomos eleitos para sediar a Copa do Mundo, todos se abraçaram, sorridentes e felizes. Já conhecíamos a tradição de obras superfaturadas e investimento zero em educação, transporte público, moradia, cultura e saúde. E silenciamos. Agora que a Copa está aí, vem as manifestações de repúdio, olvidando que em todo o mundo há mazelas, há dificuldades, desmandos, desigualdades, pobreza e exploração. No Brasil, por certo, não seria diferente. Mas não conheço registro de comportamentos como os que temos registrado no Brasil nesta pré-Copa. Depois que tantos milhões foram investidos e ainda o serão até Junho de 2014, estamos falando para o mundo: não pisem em nosso país, nós não os queremos aqui. Não foi isso que a África do Sul nos disse, nem qualquer outro país que tenha sediado a Copa do Mundo. Todos querem receber a todos. Receber os turistas e os euros e dolares que eles trarão, menos o Brasil. Cada vez me convenço mais que nada sei de política. Que foi vão ler Maquiavel, Thomaz Hobbes e o seu Leviatã, de passar noites abraçado aos livros de Bobbio e Kelzen. Realmente, não entendo de política (essas manifestações são evidentemente políticas). E o pior, não entendo do que seja brasilidade. Sempre confundi brasilidade com civilidade. Errei. "Mea culpa, mea maxima culpa", digo no meu latim vulgar. Não sei se hoje concordaria com a ideia de "fora Rede Globo que o povo não é bobo", canto repetia quando estudante em manifestações em Brasília e Aracaju - fui militante estudantil. Continuamos sendo bobos enquanto assistimos a Rede Esgoto e seguimos a multidão, sem sabermos por certo onde chegaremos. Deixemos de besteira. Muitos dos descontentes de hoje votarão em Dilma e no PT. Outros, como forma de protesto, não voltarão. Viverão o estigma de Pilatos, simplesmente lavando suas mãos. É de praxe, afinal a multa é de pouco mais de três reais por não comparecer ao sufrágio. É bem verdade que esse dinheiro será direcionado para o Fundo Partidário, ou seja, manutenção do sistema. Tudo bem. Continuemos a marcha. Quem sou eu para opinar. Os manifestantes devem estar certo, a presidente Dilma também. Todos nós temos nossas razões. Sempre teremos um discurso pronto para legitimar nossas atitudes. Por certo Freud explique, eu não. "Tudo que sei é que nada sei", disse o Filósofo. Em Cuiabá, terra de Valerio Mazzuoli, João Humberto Cesário e da sua amada Graciella Cesario, um taxista me confidenciou que teve de fazer vinte horas de inglês para renovar o alvará de seu táxi. Vinte horas para expor nossa ignorância linguística, nosso "the book is on the table". O taxista cuiabano não gostou nem contempla aumento no seu faturamento. Por certo, como Dilma e os manifestantes ele, o taxista, também está certo. Continuará cobrando suas quarenta e sete moedas do Aeroporto ao Hotel Paiaguais, na Historiador Rubens de Mendonça. Eu é que não entendo de nada. Dizem que cerveja aumenta a inteligente, beleza e riqueza de um homem (alguém conhece algum bêbado burro, feio e pobre?). Devo sair e ir tomar umas, contemplar mulheres que nunca serão minhas, ouvir a bárbara musica de "arroja" (ritmo que hoje substitui nosso bom forró no Nordeste), afinal todos estão certo. Quem sabe, até eu!
Professor Paulo César dos Santos - Aracaju / Sergipe.
Professor Paulo César dos Santos - Aracaju / Sergipe.

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