O MENINO QUE SABIA SONHAR

 Um Ano sem Rodrigo Lima Ramos.

"Não somos seres humanos tendo uma experiência espiritual; somos seres espirituais tendo uma experiência humana". Assim se expressava o Padre e Paleontólogo frâncês Pierre Teilhard de Chardin (1881 - 1955). Eu conheci Rodrigo ainda menino. Caçula de Maria Fatima e de Aldomir Ramos. Nascido num domingo, 10 de Janeiro de 1988, fora aguardado com amor, carinho e ansiedade por seus pais e seus irmãos, Fabiana e Júnior. Trazia consigo muita vontade de trabalhar, de vencer, de ser "alguém na vida", como dizemos nós... Era o xodó da casa. O menino de dona Fátima, o amor do iluminado Aldomir. O irmão amoroso de Fabiana, o companheiro de labor e sonhos de Aldomir Junior. E o tio dedicado de Mateus. Mas Deus, em sua infinita misericórdia, tem seus planos.
Tornou-se tio precocemente. Quando Matheus nasceu, tinha Rodrigo apenas 12 anos de idade. Identificaram-se. Amaram-se a primeira vista e a primeiro abraço. Mantinham Matheus e Rodrigo uma amizade pura e cúmplice, seja nas brincadeiras diurtunas, nos passeios de Jet-Sky, no curtir juntos as Praias do Saco e do Abaís, ou ainda o Pontal, em Indiaroba – Sergipe. Rodrigo encontrou em Matheus o companheiro de sua infância em curso. O sobrinho de um amor eterno. Talvez prevendo em seu coração que não teria nos braços um filho, erguia Matheus, seu sobrinho, como se filho fosse, apesar de saber ser ele, Matheus, filho da sua irmã Fabiana.
Próspero comerciante, dedicado amigo, gente de fino trato. Meu sobrinho por adesão e afeto, partiu precocemente. Deixou-nos olhando o horizonte. Em sua face não havia dor, apesar de vítima de um acidente automobilístico, mas havia o sorriso de um menino que sabia sonhar. Tinha apenas 25 anos! Todos eles, os anos, dedicados na construção de uma vida proba, ética, honesta. Nunca vi em seus olhos qualquer tristeza. Nunca testemunhei qualquer teimosa lágrima em sua face. O que eu contemplava era um jovem que amava a vida, cercado sempre por amigos - ou por quem se dizia amigo. Minhas frágeis pernas não tiveram forças para ir vê-lo sem vida. Não. Rodrigo de Aldomir nunca nos deixará. Acompanhei-lo à sua última morada de longe, com o Santo Terço entre os dedos. Partia ali um menino que se fez homem não pelo tempo, mas pelo trabalho. Partia ali um jovem que nunca temeu ao trabalho. Ainda menino, lá ia Rodrigo, com doces preparados pelas mãos amorosas de sua mãe Fátima, para vender no recreio e conseguir o dinheirinho que lhe garantiria a matinée com a namoradinha do peito. Nunca foi de nada pedi. Preferia o trabalho ao rogo. Fez-se por si mesmo, sob as bênçãos da Santíssima Virgem de Fátima. Em suas empreitadas, sempre teve ao seu lado a orientação do sábio Contador Aldomir Ramos, o apoio da mãe Fátima e do irmão Aldomir Júnior, seus sócios na criação da menina dos seus olhos – a Point Cell, e de todos os seus empreendimentos. Era ao seu irmão e sócio Aldomir Júnior que confidenciava as dificuldades de se empreender no Brasil, as dificuldades por que passava, deixando à querida mãe a tarefa de gerenciar seus negócios enquanto seguia sua trilha empreendedora. Gostava de falar. Muito. Mas também sabia ouvir. Tinha olhos e coração de ouvinte, de quem quer sempre aprender, de quem quer sempre amar.
Partiu para a Eternidade. Encontraremo-nos um dia - nisso creio. Deus não se explica. Deus acolhe em si aqueles a quem ama. Rodrigo Lima Ramos foi amado e é amado por nós, mas Deus o ama também. Saudades. Um ano sem você. Mas um ano em comunhão com você, querido Rodrigo. Que Deus o tenha acolhido em sua misericórdia. Nós sempre o amaremos. Descanse em paz.

Professor Paulo César dos Santos.

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