Nordestino em São Paulo
Por Ivan Leite¹
Morei em São Paulo de 1968 a 1980, dos doze aos 24 anos de idade.
Leitor assíduo dos jornais O Estado de São Paulo e do Jornal da Tarde.
Leitor assíduo dos jornais O Estado de São Paulo e do Jornal da Tarde.
Em uma determinada época um sergipano, que foi presidente do Banco do Brasil, foi presidente do IBC-Instituto Brasileiro do Café.
Como tal, fez algo que contrariou imensamente, desconheço se acertada ou erradamente, a cafeicultores paulistas.
Por isto, um articulista do Jornal da Tarde, fez um virulento artigo contra ele e generalizou os impropérios a todos os nordestinos.
Eu, sergipano, morando em São Paulo, não admitia ser chamado de. "baiano" como todo nordestino que morasse em São Paulo era chamado.
Aceitava ser chamado de Sergipe, nordestino ou Ivan, que era o meu preferencial.
Aceitava ser chamado de Sergipe, nordestino ou Ivan, que era o meu preferencial.
Ao ler aquele artigo, desancando generalizadamente aos nordestinos, nos meus 16/17 anos de idade fiz uma carta brava ao jornal e ao articulista, rebelando- me contra a generalização da crítica do ato de uma pessoa a todos os nordestinos.
Para minha agradável surpresa, recebi do Jornal a publicação da minha carta com um comentário do próprio articulista, desculpando-se pela inadequada crítica é absurda generalização. E surpresa maior, ele telefonou-me e desculpou-se.
Num passado bem mais recente, vimos alguns jornais de São Paulo fazerem críticas, em tom jocoso, ao ministro/poeta Carlos Ayres de Brito, tão logo ele assumiu o cargo e passou a utilizar-se de poesias em alguns dos seus posicionamentos.
Entretanto, estes mesmos jornais, mesmo sem fazerem uma mea-culpa explícita, passaram a tratar com o devido respeito e reverência os posicionamentos do nosso conterrâneo ao perceberem o seu real valor intelectual e jurídico.
Estes dois fatos, distanciados trinta anos entre si, servem para que nos alertemos e não aceitemos está briga fraterna norte/sul alimentada pelos interesses momentâneos de qualquer corrente política. O preconceito quando existente, não deve ser combatido com preconceito também.
A opinião de cada um pode e deve ser respeitada, pode e deve tentar ser modificada com argumentos, se dela discordamos.
Sou nordestino com orgulho, e tenho excelentes recordações da minha acolhida em São Paulo. Terra que bem acolhe milhões de nordestinos.

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