Peraltices de Ivan Leite
Como a própria palavra-titulo, pelo vocabulário empregado já conota, trata-se de malfeito infantil, ocorrido há muitos anos.
Em pleno domingo, Dia das Crianças encontrei- me casualmente com José Rodrigues dos Santos filho do finado Ze Gaiatinho morador do Porto D'areia, que atualmente reside em Minas Gerais.
Ele me contou que foi um dos primeiros a me socorrer quando próximo à Igreja da Santa Cruz estatelei- me ao chão, caindo da égua Chevrolet, que assim era chamada por correr muito.
Tinha pescado algumas tilápias e pirambebas no lago ao fundo da casa paterna e resolvi levá-las em um balde, cavalgando a pêlo, controlada, a montaria, apenas por um singelo cabresto de corda de sisal, para dá-las a amigos.
Eu não previ que a égua recém chegada da fazenda Crasto, lugar em que já tínhamos familiaridade um com o outro, não tinha costume com a presença de automóveis da cidade.
Ia cavalgando balde em uma mão, cabresto na outra, quando um carro passou e ela assustou-se disparando de volta para o curral na rua calçada a paralelepípedos.
Derrubei o balde com os peixes, mas em uma curva que ela fez correndo no paralelepípedo derrapou e desequilibrou-se. Quando ela aprumou a direção eu não consegui manter- me em seu dorso e fui de cara ao chão.
Após a ajuda inicial para levantar- me fui até em casa peguei a bicicleta e fui ao hospital com o rosto empapado em sangue.
As freiras do hospital e enfermeiras do Hospital Amparo de Maria me atenderam. Levei alguns pontos no supercílio esquerdo e pronto.
Peraltice feita, peraltice recordada.
Ivan Leite
12/10/2014


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