Saca-rolhas
Numa noite paulista, sem ser das mais frias, o quarto do hotel fazia-se mais aprazível que a saída a um restaurante.
A praticidade oferecida pelo delivery, levou a opção do pedido de uma pizza. A pizzaria oferecida como sugestão pela recepção, tinha um nome diferente: 1900. Aceitei-a sem questionamentos.
O prazer por certos paladares, desenvolvidos via preferência paterna,
na adolescência, sobrevive na maturidade mesmo que estranho para muitos:
aliche, peixinho em conserva, super-salgado.
Surpreendido com a oferta da atendente, via telefone, de uma promoção da casa, de vinhos a um preço bem acessível e que comprando uma garrafa ganhava outra. Confirmei a pizza, guaraná e o vinho.
Guaraná por naquele restaurante só trabalhar com pepsi. E em que pese muitos acharem o sabor semelhante eu só tomo coca- cola. Em São Paulo o guaraná também é uma bebida de acompanhamento usual para a pizza.
O pedido chegou, a
recepção do hotel avisa e eu desci para buscá-lo. Já que por segurança o
entregador é proibido de subir até ao apartamento.
Pizza em uma mão, duas sacolas com os vinhos e uma sacola com os guaranás, entro no elevador. Porém, havia esquecido de tirar o cartão que libera o controle do elevador do bolso e retirá-lo com as mãos já ocupadas estava uma tarefa que exigia certo malabarismo.
Um senhor, judeu, com um sorriso simpático ofereceu-se para segurar a pizza enquanto eu pegava o cartão do elevador. Agradeci, passei-lhe a pizza, acionei o elevador, peguei a pizza de volta. Enquanto subíamos tive uma ideia e falei para o senhor se ele poderia segurar uma das duas sacolas com vinho. Achei que ele fez uma cara meio que pensando: este sujeito já está abusando. Mas, pegou a sacola com uma das garrafas de vinho. E eu disse: por favor aceite este vinho pois vieram duas, uma como cortesia, e eu não vou beber as duas. Ele relutou, dizendo-se e ficando um pouco constrangido, mas acabou aceitando por perceber pela minha entonação que eu o fazia de bom grado.
Chego ao apartamento a pizza naturalmente começando a esfriar, e pizza fria é ruim, e procuro um saca-rolhas no quarto. Cadê?-Nao tinha.
Ainda tento abrir a garrafa batendo com o fundo em uma toalha apoiada na parede, o que era relativamente fácil com as rolhas de cortiça, mas com esta sintética não consegui.
Tentei empurrar a rolha para dentro da garrafa, nada. Tentei cavocar a rolha com uma chave de casa, nada. Pedir um saca-rolhas à recepção demoraria a chegar e a pizza ficaria fria. Desisti do vinho e saboreei a pizza com guaraná.
Ivan Leite
24/11/2014
Surpreendido com a oferta da atendente, via telefone, de uma promoção da casa, de vinhos a um preço bem acessível e que comprando uma garrafa ganhava outra. Confirmei a pizza, guaraná e o vinho.
Guaraná por naquele restaurante só trabalhar com pepsi. E em que pese muitos acharem o sabor semelhante eu só tomo coca- cola. Em São Paulo o guaraná também é uma bebida de acompanhamento usual para a pizza.
O pedido chegou, a
recepção do hotel avisa e eu desci para buscá-lo. Já que por segurança o
entregador é proibido de subir até ao apartamento. Pizza em uma mão, duas sacolas com os vinhos e uma sacola com os guaranás, entro no elevador. Porém, havia esquecido de tirar o cartão que libera o controle do elevador do bolso e retirá-lo com as mãos já ocupadas estava uma tarefa que exigia certo malabarismo.
Um senhor, judeu, com um sorriso simpático ofereceu-se para segurar a pizza enquanto eu pegava o cartão do elevador. Agradeci, passei-lhe a pizza, acionei o elevador, peguei a pizza de volta. Enquanto subíamos tive uma ideia e falei para o senhor se ele poderia segurar uma das duas sacolas com vinho. Achei que ele fez uma cara meio que pensando: este sujeito já está abusando. Mas, pegou a sacola com uma das garrafas de vinho. E eu disse: por favor aceite este vinho pois vieram duas, uma como cortesia, e eu não vou beber as duas. Ele relutou, dizendo-se e ficando um pouco constrangido, mas acabou aceitando por perceber pela minha entonação que eu o fazia de bom grado.
Chego ao apartamento a pizza naturalmente começando a esfriar, e pizza fria é ruim, e procuro um saca-rolhas no quarto. Cadê?-Nao tinha.
Ainda tento abrir a garrafa batendo com o fundo em uma toalha apoiada na parede, o que era relativamente fácil com as rolhas de cortiça, mas com esta sintética não consegui.
Tentei empurrar a rolha para dentro da garrafa, nada. Tentei cavocar a rolha com uma chave de casa, nada. Pedir um saca-rolhas à recepção demoraria a chegar e a pizza ficaria fria. Desisti do vinho e saboreei a pizza com guaraná.
Ivan Leite
24/11/2014

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