O BRASIL E SEUS MILITARES: UMA BREVÍSSIMA ANÁLISE
O comportamento dos militares brasileiros, e isso é sintomático da carreira, é marcado pela arbitrariedade, pelo confronto ao Estado Democrático de Direito, e de afronta dos direitos fundamentais do cidadão. Esse coronel Feitosa se comporta dessa maneira porque não haverá punição para ele. Os militares sabem disso. Ainda vejo ANALFABETOS falarem em INTERVENÇÃO CONSTITUCIONAL DOS MILITARES. Ora, se é INTERVENÇÃO não é constitucional. Constitucional é aquilo que está de acordo com a Constituição Federal promulgada (não outorgada) em 1988, e a via de acesso ao Poder num Estado Democrático de Direito é o voto. Quer militar no Poder. Que ele se filie a um partido político, seja candidato, e sendo eleito, exerça o seu mandato em conformidade com a legislação. O autoritarismo é um marco do militarismo. Não é uma questão de ser bom ou ruim. É uma questão de ser, uma questão de natureza ontológica. Ser aquilo que se é. Vejo muitos jovens idealistas que ingressam nas Forças Armadas e na Polícia Militar sofrerem por não concordarem com o autoritarismo. Não concordar com o autoritarismo não é ser rebelde, indisciplinado, mas compreender que a liberdade - tanto quanto a vida, é imprescindível ao ser humano. Voltaire dizia com muita eloquência e acerto que "tire-se a liberdade do homem, e o homem deixará de ser homem". O autoritarismo e com ele a prepotência são algemas da alma, que ferem a dignidade, que golpeiam de morte a liberdade.
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Paulo César dos Santos, estudioso do Direito, Filosofia, História e Teologia, com cursos pela Universidade Federal de Sergipe, Faculdade de Administração e Negócios de Sergipe - FANESE, Universidade Estácio de Sá, Universidade de Brasília - UnB. Instituto Brasiliense de Direito Público - IDP, Escola de Direito do Rio de Janeiro da Fundação Getúlio Vargas, Escola Superior de Advocacia da OAB-SE, e Escola Nacional de Advocacia (ENA) do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil.

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