VICENTE FALCONI E A QUESTÃO DO TORNOVER
Tenho observado nas empresas, á grande rotatividade de colaboradores, e percebo que isso gera custos imensos para a gestão financeira das empresas. A ideia de mão-de-obra é uma ideia superada e que nada mais tem a expressar no momento vivido pelas empresas modernas. Como é um tema que tenho estudado, seja a solidão de meu gabinete de estudos, seja ainda na faculdade de Direito (Fanese) e na de Gestão de Recursos Humanos (Universidade Estácio de Sá), tomo a liberdade de lhe enviar o texto a seguir, que copilei de um livro que estou lendo de autoria de uma das maiores autoridades brasileiras em Gestão Empresarial.
Eis:
FOCO NO FUNCIONÁRIO: A experiência me mostrou, com ampla margem de certeza e constatação, que um valor elevado do tornover de pessoal prejudica a produtividade das equipes (tanto de vendas quanto fabril) e é fatal para a qualidade do produto. No entanto, este indicador de satisfação humana com a situação do trabalho é calculado mas geralmente desconsiderado pelas lideranças. Por diversas vezes, em muitas empresas, tenho encontrado índices de turnover de pessoal da ordem de 25 a 30% ao ano para a área industrial e de até 45% ao ano para a área de vendas. Quando reajo a estes números, tenho ouvido como resposta que “são naturais para este tipo de atividade na região”. Na verdade, um elevado turnover de pessoal indica claramente a insatisfação das pessoas com as condições de trabalho e nem sempre é fácil para as chefias concordarem que suas equipes não estão satisfeitas. O tornover de pessoal equivale a um vazamento de conhecimento da empresa. O conhecimento que pode ser reposto por aulas ou instruções ( conhecimento explícito)¹² toma pouco tempo e recursos para ser incorporado, mas o conhecimento prático adquirido ao longo dos anos (conhecimento tácito)¹² é uma perda às vezes irreparável. É impossível manter um processo estável com 30 a 40% de gente nova. Isto acarreta um custo elevadíssimo.
Há alguns anos, em um Cliente nosso, havia várias fábricas com turnover de pessoal elevado, da ordem de 25% e áreas de vendas com turnover acima de 40%. Na época aquilo foi considerado pela administração uma “doença” da empresa e que ganharíamos em produtividade se fizéssemos um esforço de reduzir aqueles números. Isto foi feito. O turnover de pessoal nas fábricas foi reduzido para algo entre 4 e 6% ao ano e nas frentes de vendas, já ouvi falar em números como 9%. O resultado foi um grande ganho de produtividade fabril e de vendas. Constatamos que a relação de produtividade com turnover de pessoal é linear. Isto é óbvio, pois deixamos de jogar conhecimento fora.
Acidentes no trabalho são inaceitáveis. Conheço uma usina siderúrgica que fica anos sem ter um acidente sequer. Turnover baixo, padronização e treinamento no trabalho são fundamentais, em suma, bom Gerenciamento da Rotina.
Fonte:
FALCONI, Vicente. O Verdadeiro Poder / Vicente Falconi. - Nova Lima: INDG Tecnologia e Serviços Ltda., 2009. Páginas 06 e 07.
Nota: A expressão Tornover, usada pelo professor FALCONI, significa rotatividade, in caso, de pessoal. A marca em amarelo é uma intervenção minha. PCS.

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