Alma Aflita

Às vezes escrevo versos; noutros momentos apenas confesso a alegria que trago no peito. Ou ainda a tristeza disfarçada, as lágrimas contidas na alma, os sonhos desfeitos em silêncios. Num momento sou apenas um homem, noutros um pobre menino a brincar escondido no chão da sala de estar. Se tomo um copo com água, molho a alma ardente, e ainda vazio de contentamento espero o dia que nasce. Triste manhã de outono. Triste manhã de verão. Triste é tudo que vejo no espelho de minha alma tão sólida que se desmancha no ar que agoniza por minhas mãos em prece e meus joelhos dobrados e doídos. Quão dura é a realidade de um poeta sem alma, sem cálice e sem grito. #AlmaAflita.

Paulo César dos Santos, professor de Introdução à Bíblia e História de Israel, no Bacharelado em Teologia do Instituto de Teologia São João XXIII. 

Estância, capital brasileira do Barco de Fogo, 19 de Janeiro de 2017.

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