INFIDELIDADE CONJUGAL. VOCÊ PERDOARIA?

Você, HOMEM, perdoaria uma traição? A cultura, tanto oriental quanto ocidental, sempre foi aliada da lascívia masculina, da infidelidade e, até, da promiscuidade dos homens, a ponto de Arthur Shopenhauer afirmar que "o homem inclina-se por natureza à inconstância amorosa, enquanto a mulher tende à fidelidade. O amor do homem declina a partir da primeira posse sexual - qualquer outra mulher excita-o mais, ele anseia a variedade; já o amor feminino aumenta a partir da primeira posse, já que a natureza direciona os sexos para a propagação (sobretudo o homem) e manutenção (sobretudo a mulher) da espécie. Por isso, um homem conseguiria, sem maiores problemas, num único ano, gerar cerca de cem ou mais crianças, se ao seu dispor se encontrassem cem ou mais mulheres; já a mulher, se ao dispor se encontrassem igual número de homens, só conseguiria gerar uma única criança. Quer dizer, a natureza como que autoriza a procura masculina pela variedade de mulheres, enquanto a mulher agarra-se ao seu homem, principalmente durante a gravidez, pois o companheiro terá de lhe fornecer segurança e alimento. Logo, a natureza parece não concordar com a inconstância amorosa feminina, embora autorize a masculina" (BARBOZA, Jair. Shopenhauer: a Decifração do Enigma do Mundo. São Paulo: Moderna, 1997 - Coleção Logos, p. 83/84). Por evidente, não concordo com o autor de "O Mundo como Vontade e Representação" (1818). Até porque o foco de minha análise é o PERDÃO. Seria o homem capaz de perdoar uma traição? Sim, seria a resposta à priori. Mas os motivos são muitos. Alguns perdoariam para manter o status quo social, as aparência; outros, por insegurança, por temer a solidão e acreditar que não encontraria uma outra mulher para a sua vida. Há ainda aqueles que, por amor até que ingênuo, acredita que a mulher a quem ama e que o traiu possui a possibilidade de mudar e não mais traí-lo. Porém, o que me chama a atenção é aquele homem de coração generoso, que não teme a repercussão social, não é temeroso da solidão nem acredita na mudança do outro. Ele apenas PERDOA, sem justificativa, sem crenças ingênuas, sem medos, sem nada cobrar de volta. São homens de coração iluminado, puros, plenos da compreensão e do amor de Deus. São raros. Mas existem e resistem a toda a prova.

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