DA PERIFERIA DO SABER A UM SABER À BESSA...

A história do Direito em Sergipe tem na tríade Gumercindo Bessa (1859-1913), Sílvio Romero (1851-1914) e Tobias Barreto de Meneses (1839-1989) seus pais fundadores, sendo o de maior projeção, sem dúvida, Romero que, além de Jurista, foi também poeta, escritor, linguista, teatrólogo, crítico literário e polemista (pensador, filósofo). E por muito tempo a história do direito se resumia em conhecer a história desses homens. Tobias Barreto, por exemplo, teve existência curta. Morreu com apenas 50 anos, após ter sido Promotor de Justiça em Escada - Pernambuco. Poeta fecundo, tem-no a crítica da estatura de Castro Alves. Germanista, filósofo, empresta seu nome ao Palácio de Justiça de Sergipe. Já meu conterrâneo Bessa, chegou a polemizar com o grande Ruy Barbosa (1849-1923), mas praticamente se deteve em Sergipe, o menor Estado da Federação. "Menor que o Acre, pai?", um dia me perguntou Paulo Raphael, meu primogênito. "Sim, filho, menor que o Acre!", respondi. Mas minha intenção neste texto não é pensar a história do Direito em seus primórdios, mas em sua atualidade, no hoje que nos alegra. Quando ingressei na Universidade Federal de Sergipe - UFS, nos idos dos anos de 1990 sabíamos que estávamos em uma universidade periférica, e cuja produção intelectual muito devia às grandes instituições do sul e sudeste do Brasil, apesar de alguns cursos, como o de Geografia, já começar a despontar pelo talento de seus egressos. O departamento que eu ingressei - Ciências Sociais, estava começando, dando seus primeiros passos. E o Departamento de Ciências Jurídicas (Direito), apesar de ter sido celular mater da instituição, nascido do olhar apaixonado do Teólogo e Episcopo católico Dom Luciano Cabral Duarte, era apenas um bom departamento a formar bons advogados e, desde a década de 1950, advogadas. Não tinha uma produção intelectual relevante. Mas isso mudou. E como mudou. Da periferia do saber, o Departamento de Direito da UFS tem produzido bom saber jurídico à bessa, graças a seres humanos plenos de amor e vida como a Professora Carla Eugênia Caldas Barros e seus pupilos. Artigos, livros, palestras, simpósios, congressos. O pensar direito o direito está presente no cotidiano da Universidade Federal de Sergipe e chega a contagiar aqueles que, mesmo não integrando o corpo docente e discente da instituição se alimentam do saber jurídico, notório e notável, produzido ali. Gente muito boa está produzindo o pensar Direito em Sergipe. Para citar alguns, sabendo que essa não é uma boa política pois deixará importantes nomes de fora pela limitação das minhas lembranças, porém ouso, destaco nomes como o de Flávia Moreira Guimarães Pessoa, Clara Angélica Gonçalves Dias, Lúcia Ribeiro, Gianini Prado, Diogo Guimarães, Fernando Luiz Lopes Dantas, Danielle Garcia, Marcela Pithon, Arnaldo Machado, Dayse de Almeida, e ainda Pedro Durão, Agripino Alexandre e Diogo Calasans. Ou seja, a produção intelectual dos docentes e discentes da UFS já não se contém nos muros da instituição. Contagiou a outros fora dos perímetros da velha universidade, que se renova num "aggionare" contínuo de fecundo saber. Saímos da periferia. A Universidade Federal de Sergipe está cumprindo sua vocação de produtora de saber. Que bom. Sigamos a trilha, pois. O futuro nos promete.

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