E-commerce: Refeições Compartilhadas e o Ressurgir das Vendas Coletivas

Partilhar, compartilhar, dividir o bom. Essa é a proposta que norteou o e-commerce desde o surgimento das chamadas vendas (ou compras) coletivas, modelo que teve grande penetração no Brasil, e que foi inundado por sites em todo país, desde aqueles nascidos entre microempreendedores aos sites internacionais que viram no nosso mercado um grande potencial. Mas esse é um modelo superado. Deu o que tinha que dá. Ainda existem alguns sites, mas a febre baixou. O antitérmico do tempo funcionou mais uma vez. É infalível. Mas o e-commerce tem a mesma genética do mitológico Fênix e se reconstrói, renasce das cinzas. Com uma plataforma simples, que mistura redes sociais e o que restou de compras coletivas surgem os sites de refeições compartilhadas (geralmente jantares) que reúnem pessoas que apreciam a boa gastronomia. com preços acessíveis e a alegria de conhecer gente nova. O cardápio não precisa ser sofisticado. Nem profissional. De pratos regionais a uma gastronomia mais elaborada, há espaço para todos, sendo que ao empreendedor da internet entra apenas com a plataforma que promover o encontro entre quem gosta de cozinha com quem gosta de comer. Simples assim. Outra exigência para os anfitriões é que quem busca essa aventura gastronômica busca geralmente ambientes intimistas. Nada de eventos em churrascaria com direito a sambão (tudo contra) e "bebum" enchendo o saco. Geralmente são eventos para dois ou três casais - o que inclui os anfitriões. Portanto, o que vai imperar é a criatividade daquele que convida e a curiosidade culinária de quem se faz convidado. Em São Paulo, Curitiba, Rio e BH está bombando esse tipo de plataforma. Em Fortaleza, também. Em Recife está em estado embrionário. A notícia que recebo é que outros Estados brasileiros começam a despertar para as refeições compartilhadas. Em Aracaju ainda não chegou. Mas é logo. Estou trabalhando nesse sentido. Logo convido para saborear as saladas que preparo ou o feijão com charque que sou craque. Ou para uma simples cachaça com petiscos que sempre preparo em minha chácara para desleite dos amigos (sempre a cachaça Reserva do Barão, de ótima qualidade, produzida no interior sergipano). Cozinhar é uma arte. Receber pessoas é uma arte. Há muito uma das críticas dada aos ambientes virtuais é a de ter separado as pessoas; desmotivando-as do encontro pessoal, físico. A proposta de refeições compartilhadas que substitui de forma generosa os sites de compras/vendas coletivas põe por terra essa crítica. A proposta é promover o encontro de quem cozinha com quem come. De certa forma todos nós cozinhamos (nem que seja ovo com pão) e, claro, todos comemos. Na verdade, essa é uma resposta ao eterno desejo humano de se estar próximo, ao lado, conhecer pessoas novas e desses encontros que nasçam amizades, cumplicidades sadias e, quiçá, amores e amoras. Faço votos para o bem. O e-commerce há muito precisava de novos sabores e perfumes. As plataformas, sites de refeições compartilhadas serão apenas mais um modismo? Quem sabe? Talvez seja. Mas terá cumprido uma missão maravilhosa, que é a de colocar à mesa pessoas vocacionadas à felicidade, ao encontro, à amizade, à partilha, à comunhão. Nosso Senhor, para nós, cristãos católicos, sentou-se à mesa com doze, mas àquela refeição que tão generosamente Ele compartilhou, convidou-nos a todos. Aceitemos ou não, a mesa está posta.

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