O ISLAMISMO E AS CIÊNCIAS

Lendo o livro "O Filósofo e a Teologia", de Étienne Gilson (tradução de Tiago José Risi Leme - Santo André: Editora Academia Cristã Ltda.; São Paulo: Paulus, 2015. 14X21 cm: 144 páginas), eis que me deparo com um trecho que tomo a liberdade de reproduzir aqui, posto que pertinente ao momento internacional que estamos vivendo, em que o Fundamentalismo Islâmico põe em xeque a paz no Ocidente.
"Ernest Renan os abordou [o fechamento dos teólogos islâmicos à filosofia] com lucidez em sua conferência feita na Sorbonne, no dia 29 de março de 1883, sobre "O Islamismo e a ciência". Uma educação exclusivamente orientada a inculcar nas crianças a fé maometana produziu gerações cujo espírito, até o fim do século XIX, permaneceu impermeável a qualquer influência vinda de fora. Não se conhece exemplo semelhante, de uma esterilização intelectual de povos inteiros, por sua fé religiosa. Para quem duvida dos efeitos produzidos sobre as inteligências, basta comparar com o que foi o povo berbere e, generalizando, os povos que habitavam o Norte da África antes de serem conquistados pelo Islã, e o que eles se tornaram depois. Quase todos os Padres latinos são africanos. Tertuliano de Cartago, o númida Arnóbio de Sicca e seu discípulo Lactâncio, São Cipriano de Cartago, Vitorino o Africano, o berbere Santo Agostinho, enfim, toda essa gloriosa comissão de frente da Patrística latina - tão bem estudada por Paul Monceaux em sua monumental História literária da África cristã - que configurou um dom esplêndido da África à Igreja de Roma, enquanto essa só tinha Santo Ambrósio e São Jerônimo que a eles se pudesse comparar! A escolástica, tão depreciada, preservou o Ocidente dessa calamidade da qual os países do Islã estão felizmente prestes a se libertar." (pg. 199)

Vejamos que Étienne Gilson, neste texto supra o conclui com um grito de esperança, vendo sucumbir o Islã. Infelizmente sabemos hoje que a profecia do sábio mestre francês está longe de se realizar. O Islã continua contaminando o mundo com o obscurantismo e a ignorância fundamentalista. 

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