COMO LER GILBERTO FREYRE E SÉRGIO BUARQUE DE HOLANDA: ENCONTROS E DESENCONTROS

A prima facie, tem-se a impressão que há entre Gilberto Freyre e Sérgio Buarque de Holanda gritantes divergências, mas contemplo muito mais proximidades que adversidades. Ambos preocupam-se em compreender o Brasil. Freyre e Buarque são leitores de Weber, sendo que este último se serve dos paradigmas weberianos em sua construção teórica, notadamente o tipo ideal do sociólogo alemão. A Escola de Annales e sua metodologia se faz sentir em ambos. Gilberto Freyre e Sérgio Buarque de Holanda fazem história buscando diversas fontes, não só as tradicionais, oficiais, mas dialogam com as mais diversas fontes e ciências. Um, Freyre, ver na mistura de raças uma suposta democracia racial, como se os portugueses tivessem de alguma forma "purificado" o índio e o negro. Buarque de Holanda encontra na história e no perfil do homem português o por quê de atraso no desenvolvimento do Brasil. O brasileiro é um homem cordial. Um homem que age com o coração, não com a razão; um homem não dado ao trabalho. Falta-lhe a ética do trabalho; abunda o amor ao ócio, ao enriquecimento sem causa. Portanto, a influência de Weber em Sérgio Buarque de Holanda é de natureza metodológica. Ainda, Buarque de Holanda revela a dificuldade do brasileiro de separar aquilo que pertence à vida privada daquilo que pertence à esfera pública, o que golpeia as possibilidades do Brasil se desenvolver. Falta a razão que rege a burocracia dos países capitalistas. Quanto à indagação à qual corrente historiográfica me filio, creio que temos muito a aprender com os cultos mestre. Com ambos. Principalmente neste ano em que se celebra 80 anos da publicação do livro "Raízes do Brasil", de Sérgio Buarque de Holanda. ____________________ Texto produzido em resposta à indagação da Professora TALITA VELOSO CERVEIRA, de Historiografia Brasileira, da Universidade Estácio de Sá. Licenciatura em História (EaD).

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